Uma oração a ter presente constantemente no coração:

''Eu Estou entregue nas mãos de Deus.
Eu Sou Divinamente guiado/a e protegido/a
E em mim e por mim é feita a Divina Vontade.
Eu sirvo e manifesto a LUZ , Agora e Sempre!''

18.6.10

Sri Anandamayi Ma



Data de nascimento: 30 de abril de 1896(1896-04-30)
Naturalidade: Kheora, Brahmanbaria, Bangladesh
Nascimento: Nirmala Sundari
Data de morte: 27 de agosto de 1982 (86 anos)
Local da morte: Kishanpur, Dehradun, Os ritos da Índia, foram realizados no passado Kankhal, Haridwar, India
Citação: "Quem é que ama e quem que sofre? Só Ele encena uma peça com ele próprio; que existe salvá-lo? O indivíduo sofre porque ele percebe a dualidade. É a dualidade que faz com que toda a tristeza e sofrimento. Encontre o em toda parte e em tudo e haverá um fim à dor e ao sofrimento."



A Mãe Impregnada de Alegria

Nirmala Sundari (em sânscrito,"Beleza Imaculada", um nome adequado para uma mulher cuja beleza, tanto física quanto espiritual, era de tirar o fôlego) nasceu em 1896, em Kheora, Leste de Bengala,(hoje Bangladesh).

Na época de sua morte, em 1982, essa camponesa virtualmente iletrada seria reverenciada em todo o mundo como Anadamayi Ma, a Mãe Impregnada de Alegria.

Nirmala era lembrada por vizinhos e parentes como uma criança excepcionalmente alegre e luminosa - mas não especialmente inteligente. A sua tendência de parar abruptamente todas as atividades e fixar os olhos abstratamente no espaço por longos períodos deixava os seus pais apreensivos. A preocupação deles tinha começado no momento exato do seu nascimento, quando a criança recém-nascida não chorou.

Anos mais tarde, quando a sua mãe lembrou esse acontecimento alarmante, Nirmala reagiu:

- Por que deveria eu ter chorado? Eu estava olhando as árvores através das ripas da janela. (.....)

Os seus pais contrataram o seu casamento com Bholanath; cinco anos depois, ela foi morar com ele. Quando viu sua estonteante noiva, Bholanath deve ter se considerado o homem mais sortudo da terra. De fato, ele tinha sido abençoado, mas não da maneira que esperava: a sua esposa recusava-se categoricamente a fazer sexo com ele.

A sua consternação transformou-se em horror quando ele acordou no meio da noite e encontrou Nirmala contorcendo o seu corpo no chão e emitindo sons estranhos e obscuros. Ficou convencido de que ela estava possuída e consultou um exorcista.

Nem Bholanath nem Nirmala tinham treinamento religioso formal, e assim, na época, nenhum dos dois reconheceu que Nirmala estava assumindo espontaneamente posturas da Hatha yoga ou que as suas estranhas vocalizações eram, na verdade, mantras sagrados.

De 1918 a 1924, Nirmala desinteressadamente se observou passar pelos vários estágios da "sadhana", a prática espiritual.

Desde o momento do seu nascimento plenamente consciente, quando ficou olhando as árvores, Nirmala aparentemente permaneceu no estado de "sakshin", como é chamado o estado de testemunho lúcido na yoga.

- O que eu sou, sempre fui desde a minha infância - afirmou ela posteriormente. - Contudo, diferentes estágios da "sadhana" se manifestaram através deste corpo. A sabedoria foi revelada pouco a pouco; o conhecimento integral foi dividido em partes.

Nirmala - que nasceu vivenciando a unidade de toda a criação - achava surpreendente vivenciar o mundo aos pouquinhos e em partes, como faz o resto de nós.

O comportamento não-ortodoxo de Nirmala chocou a sua família muitas vezes durante a sua vida. Uma de tais ocasiões ocorreu quando ela se recusou a se curvar diante dos seus antepassados, um requinte social considerado imprescindível em Bengala. Porém, Nirmala tinha ouvido uma voz lhe dizendo: "Voce não deve se curvar diante de ninguém. A quem voce quer homenagear? Voce é tudo."

- Imediatamente - afirmou Nirmala -, compreendi que todo o universo era a minha própria manifestação. O conhecimento parcial deu lugar ao universal, e eu me descobri face a face com a Unidade que aparenta ser muitas coisas.

Isto - o auge de todo o esforço místico - realmente seria uma façanha para qualquer pessoa, ainda mais para uma jovem que nunca tinha tido um guru.

Não era que o assunto de um guru ou guia espiritual não tivesse surgido. Os amigos que conheciam as inclinações espirituais de Nirmala, encorajaram-na com veemência a buscar um mestre que a iniciasse formalmente na vida espiritual. Ela foi até os pandits locais, mas nenhum estava interessado em ensinar uma camponesa pobre e iletrada. Em 3 de agosto de 1922, numa ruptura total com toda a história da tradição religiosa hindu, Nirmala Sundari Chakaravarti se sentou e iniciou a si mesma.

A yoga ensina que o guru, o mantra que ele confere durante a iniciação e o discípulo são, na realidade, uma única coisa. Já estabelecida naquela realidade indivisível, Ananda Mayi Ma dramatizou esta unidade quando interpretou os papéis de mestre e de discípulo simultaneamente, com seu Eu superior conferindo o mantra ao seu eu inferior. Assim, ela recebeu o mantra diretamente da divindade interior e tornou-se uma das poucas sábias do hinduísmo que alcançaram a plena iluminação sem a ajuda de um guru.

Em 1922, Bholanath, o aturdido marido de Nirmala, tinha visto o bastante para concluir que sua esposa estava possuída por Deus. Tornou-se o seu primeiro discípulo.

Em 1924, ele e Nirmala se mudaram para uma casa de campo no estado de Shahbag e, enquanto Bholanath cultivava os jardins, Nirmala cultivava um número crescente de devotos. Uns foram atraídos pelos rumores de curas milagrosas, outros pela músicas. A voz de Nirmala quando cantava as glórias de Deus, era sublime. A população logo começou a chama-la de Mãe do Mundo.

As palavras dessa mulher radiante surpreendiam os seus visitantes. Ela falava com autoridade sobre estados além do tempo e do espaço, como se os conhecesse intimamente.

"O tempo devora incessantemente. Tão logo a infância acaba, a juventude assume o seu lugar - uma engolindo a outra. Mas, na realidade, o surgimento, a continuidade e o desaparecimento ocorrem simultaneamente em um só lugar. Tudo é infinito; infinito e finito são, de fato, a mesma coisa. Em uma grinalda, há um único fio, embora haja lacunas entre as flores. São as lacunas que causam a carência e o sofrimento. Preenche-las é se libertar."

Nirmala ensinava os seus extasiados discípulos a preencherem as lacunas com o amor a Deus e submissão à Sua vontade. Ela insistia em que Deus não era somente o criador do universo, mas também a essência do próprio ser da pessoa. "A verdadeira natureza do homem - dê a isto o nome que voce quiser - é o Eu supremo de tudo."

Em 1924, Nirmala parou de se alimentar. Ela observou com desinteresse característico, que as suas mãos simplesmente não conseguiam levar o alimento à sua boca. Pelo resto de sua vida, os devotos precisaram alimentá-la como a um bebê.

Em 2 de junho de 1932, à meia noite, Nirmala convocou um punhado de discípulos íntimos e fez uma surpreendente participação. Estava partindo. Por que? suplicaram seus devotos. Para onde ela iria?

Ela explicou que não sabia e partiu imediatamente. Durante um ano, ela se estabeleceu em um templo abandonado de Shiva, perto de Dehradun, aparentemente se submetendo a severa penitência, mas, de fato, como ela mesma admitiu, permanecendo em uma inexprimível alegria. De qualquer maneira, esse foi o último local no qual pode-se dizer que Anandamay-Ma morou. Depois disso, ela se mudou constantemente. Em cada lugar em que parou, surgiram "ashrams" e instituições de caridade.

Algumas histórias

Apesar da ausência de um guru externo, Nirmala não estava, de maneira alguma, sem orientação espiritual. O seu Kheyal, ou Guia Interior, direcionava o curso da sua vida.(...) As centenas de histórias sobre o Kheyal de Anandamayi Ma são lendárias.

Por exemplo, uma noite, no meio de um kirtan (cântico religioso), Nirmala se levantou e saiu andando rapidamente para fora da casa. Dois devotos correram atrás dela, perguntando para onde estava se dirigindo.

Sarnath - respondeu ela.

Sarnath ficava a muitas milhas de distância.

- Por que voce está indo esta noite? quiseram saber os devotos. - Não há nenhum trem para Sarnath a esta hora!

Nirmala continuou em ritmo apressado até a estação ferroviária. A seu pedido, um devoto comprou um bilhete para o trem postal que passaria perto de Sarnath, mas que não estava programado para parar lá. Nos arredores de Sarnath, o trem parou inexplicavelmente. Nirmala e os seus dois entontecidos devotos saltaram.

- Qual o caminho para o Hotel Birla? - perguntou ela.

Eles não tinham a menor idéia. Ela continuou andando vigorosamente, com o seu minúsculo séquito correndo para acompanhar.

O hotel surgiu e os três entraram apressadamente. Nirmala ignorou o hoteleiro e se dirigiu diretamente para um quarto. Quando eles se aproximaram, os devotos escutaram uma mulher gemendo dentro do quarto. Nirmala bateu com força na porta dizendo:

- Está tudo bem! Estou aqui!

A porta se abriu e os devotos ficaram surpresos ao ver Maharattan, uma condicípula. Maharattan tinha chegado poucas horas antes em Sarnath. Estava desamparada e sem dinheiro, e, desde então, tinha estado chamando por Anandamyi Ma.

Nirmala passou o resto da noite caçoando de Maharattan.

Indubitavelmente, esta experiência curou a agradecida devota de qualquer ansiedade durante algum tempo! (....)

Em 1955, quando o juiz distrital de Vindhyachal soube que Anandamayi Ma estava visitando a sua área, correu para ter o seu darshan (a benção de ver um santo em pessoa).

Ma parecia estar esperando por ele, e levou-o para a varanda. Apontando para o jardim embaixo, ela instruiu:

- Deuses e deusas estão por aí, debaixo da terra. Eles me disseram que é muito cansativo ficar enterrado e que gostariam de ser retirados. Voce pode ajudá-los?

Imediatamente o juiz reuniu um grupo de trabalho e começaram a cavar. Penetrar na rocha sólida era um trabalho árduo.

No segundo dia, o grupo estava cheio de irritação, questionando se o juiz tinha perdido a razão. No terceiro dia, eles descobriram duzentas primorosas estátuas antigas enterradas na lama.

Anandamayi Ma era abraçada não apenas pelas pessoas simples, mas também pelos maiores intelectuais, santos e políticos da India, incluindo Mahatma Gandhi, que se encontrou com ela em 1942, e Indira Gandhi, que a admirava desde a infância.

Quando o maior intelectual da India, Gopinatha Kaviraj, visitou Ma, as respostas às suas questões filosóficas de difícil compreensão que esta mulher sem educação formal instantaneamente ofereceu, o surpreendeu tanto que ele se mudou para o ashram dela, onde passou o resto de sua vida.

A estima por Anadamayi Ma se refletia nos acontecimentos que cercavam as suas aparições nos Kumbha melas da India, feiras religiosas que atraíam milhões de peregrinos, incluindo os dirigentes de muitas das principais instituíções religiosas indianas. A rivalidade entre os vários líderes religiosos é famosa e, às vezes, infelizmente, tempera as melas com intolerância, ao invés de com o espírito de harmonia que as feiras pretendem promover.

Na última década da vida de Ma, parecia só haver uma única coisa com a qual os dignitários religiosos no kumbha mela concordavam: todos iam à barraca de Ma para se curvarem reverentemente diante da mulher idosa cuja santidade era tão plenamente evidente que até mesmo o mais rancoroso deixava o seu egotismo, junto com as suas sandálias, do lado de fora da porta. Brâmanes inimigos apareciam pedindo a Ma que arbitrasse as suas disputas; após alguns minutos em sua silenciosa e luminosa companhia, os argumentos enfraqueciam e eles podiam sair da barraca sorridentes e se abraçando.

Foi ali que Ma finalmente foi reconhecida como a Mãe Universal; a santa cuja compaixão não conhecia barreiras de casta, credo ou nacionalidade; a santa diante da qual todas as pessoas, independente da sua formação, reverenciavam a serenidade.

O encontro de Paramahansa Yogananda com Ma, como descrito no seu clássico Autobiografia de um Iogue, foi a primeira apresentação de Anandamayi Ma para muitos ocidentais.

Um verdadeiro exemplo de santidade

Anandamayi Ma não escrevia e nem dava conferências; simplesmente vivia na presença divina. Do seu ponto de vista, ela não servia às outras pessoas porque não as via como separadas de si mesma. Remover o sofrimento delas era simplesmente aliviar a si própria.

Embora os seu devotos a tivessem visto viajando por toda a India, ela nunca foi a lugar algum: "Para este corpo, a questão do ir e vir absolutamente não procede. Este corpo não vem nem vai a lugar algum. O universo como um todo é o lar deste corpo. Para onde este corpo pode ir? Em todos os lugares, só existe uma única consciência onipresente. Não há nenhum espaço para o corpo se mover ou até mesmo para se virar. Mesmo se for empurrado, ainda estará lá."

Afortunadamente para a posteridade, diversos seguidores de Anandamayi Ma anotaram as respostas dela às suas perguntas; esses diários constituem a parte principal de sua mensagem para a humanidade.

Sobre os desejos mundanos ela dizia: "se voce deseja fama ou riqueza, Deus irá dá-la a voce, mas voce não se sentirá satisfeito. O reino da consciência é uma unidade, e, até que vivencie isto em sua totalidade, voce nunca ficará contente. Ao mesmo tempo, Deus lhe concede um pouquinho da sua alegria para manter vivo o seu descontentamento, porque, sem esta insatisfação, voce não irá progredir. Voce, um filho da imortalidade, nunca pode se sentir à vontade no reino da morte e nem Deus irá permitir que voce permaneça ali. Lembre-se que o sofrimento que voce experimenta é o início de um despertar da consciência."

O que é um guru? "Todo mundo é um guru. Cada pessoa através da qual alguém aprendeu algo, não importa o quão insignificante seja. Porém, o verdadeiro guru é aquele cujos ensinamentos guiam voce em direção a compreensão do Eu. Implore continuamente a Deus para que ele possa Se revelar a voce como o seu Mestre Espiritual e a menos que voce descubra o guru interior, nada pode ser alcançado. (..........)

Ananadamayi Ma ensinava que a única realidade é a realidade divina; que a nossa percepção de nós mesmos como separados de Deus é apenas um sonho, uma imposição da ignorância, e que as pessoas que se libertam dos seus apegos a desejos mesquinhos e motivações egoístas, voltando-se sinceramente para o divino, não no céu mas em si mesmas, podem viver cada momento em perfeita alegria. Disto, ela mesma era um exemplo vivo.

A maior contribuíção de Anandamayi Ma não foi tanto o que ela fez ou o que disse; é o que ela foi. Ela surpreendeu e inspirou a milhões de pessoas - primeiro na India, depois por todos os lugares do mundo - pelo seu verdadeiro ser: incessantemente radiante, totalmente unido ao divino e, no entanto, constantemente sensível às necessidades de todos os que chegavam até ela.

A resposta enigmática de Ma à pergunta frequentemente verbalizada por seus devotos, "Quem é Voce?", era: "Eu sou tudo aquilo que voce achar que sou". Talvez isso fosse um indício de que Anandamayi Ma era simplesmente um espelho daquilo que há de mais puro e mais maravilhoso dentro de nós mesmos e de que o propósito da sua existência era somente o de nos mostrar o que todos nós podemos ser.

Para nós, hoje, a quase iletrada camponesa de Bengala oferece um exemplo radical de uma mulher realmente liberada; um ser humano que amou todas as pessoas que chegaram até ela como se fossem seus próprios filhos e, no entanto, permaneceu independente de todos; que serviu constantemente as outras pessoas sem se preocupar se elas eram suficientemente agradecidas.

Relatos de discípulas americanas:

Carol Devi

- Ela tinha uma presença e uma existência surpreendentes. O poder da sua presença se irradiava por uma enorme circunferência. Muitas vezes, voce não conseguia ficar tranquilo porque havia pessoas demais ao redor dela, mas voce também não precisava tentar meditar. As vibrações de Ma eram tão fortes que empurravam voce para a meditação.

Não importava de que religião voce era. Não havia a sensação de que uma religião era melhor do que outra. Todas as crenças e dogmas se tornavam uma só coisa para Ma.

- Eu podia ir a qualquer grupo que desejasse - diz Carol - mas nunca houve qualquer dúvida em minha mente sobre quem era o meu guru. Eu tinha uma relação de total intimidade com Ma, mas todas as pessoas na mesma sala tinham a mesma experiência. Era como Krishna com as "gopis".

Enquanto o avatar Krishna vivia na aldeia rural de Vrindavan, todas as "gopis", as camponesas que cuidavam das vacas, eram apaixonadas por ele. Uma noite, para satisfazer os desejos delas, ele as convidou para dentro da floresta. Então, ele emanou de si mesmo dezenas de Krishnas idêntidos, e cada um deles dançou durante a noite mística com uma "gopi" diferente. Cada moça acreditou que estava sozinha com o Senhor, que ele pertencia apenas a ela.

Do mesmo modo, Carol Devi era a pessoa mais especial do mundo para Ma, assim como o eram todas as outras almas admitidas na presença da santa.

Embora Anandamayi Ma já fosse idosa quando Carol a conheceu, acompanha-la era estafante.

- Contudo, foi espiritualmente estimulante. Era como andar com Jesus.
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Hari Priya

A americana Hari Priya escreveu para Ma perguntando se teria permissão de ve-la. Ma respondeu: " Voce será sempre bem vinda. Se for a hora de voce vir, Deus tomará as providências."

O dinheiro para a viagem materializou do éter e, duas semanas mais tarde Hari Priya estava em Dehra Dun.

- Se Cristo ou qualquer outra pessoa santa estivesse na terra, eu iria ve-las. Portanto, evidentemente, fui ver Ma.

Hari Priya dificilmente consegue conter as lágrimas quando se lembra da sua primeira visão diante de Ma. Ma entrou no quarto trazendo uma flor. (.....)

Providências foram tomadas, de modo que Hari Priya pudesse morar na vizinhança.

- Aquela primeira viagem foi a nossa lua-de-mel. Durante as suas "darshans," eu me sentava a trinta centímetros de distância dela. As viagens subsequentes nem sempre foram tão tranquilas.

- Muitas vezes, ela me ignorou. Era para anular o meu ego. Eu tinha um sutil orgulho espiritual. Ma o estava cortando pela raiz. Depois, fazendo algo especial, ela me preencheria novamente com a sua alegria.

Hari Priya recorda com particular ternura a vez em que a Mãe se sentou segurando as suas mãos e lhe disse:

- Voce percorreu todo esse caminho por amor a mim. Voce sofreu demais por este corpo. Esta é a sua grandeza.

Ela transformava todas as situações em uma usina espiritual, um céu. Na maioria das vezes Ma ficava sentada em silêncio, mas também podia estar espirituosa e contar histórias maravilhosas. O seu fascínio era envolvente. Vibrava com o poder espiritual. A sua risada era transcendental...podia penetrar em nosso coração.

Hari Priya se lembra da vez em que um devoto mencionou a um outro que Ma raramente tomava banho.

- Ela não precisava, o seu corpo era tão puro! Tinha uma fragrância única, como o lótus, a banana e o sândalo.

No dia seguinte em que o discípulo fez este comentário, Ma tomou trinta banhos. O devoto se absteria de fazer comentários semelhantes no futuro.

Hari Priya recorda o terrível dia em 1982, apenas nove dias antes dela partir em sua décima viagem à India, no qual uma condiscípula telefonou.

- Ela não precisou me contar. Eu o soube pelo tom da sua voz. (......)

Voltou à India e visitou os asrahms em Pune, Hardwar e Dehra Dun. (.....)

- Não há um dia que passe sem que eu me lembre dela. Pergunte a qualquer um dos devotos de Ma e ele lhe dirá a mesma coisa. O tigre o mantém no seu abraço!


Olho fixamente para a mansão branca, visível do nosso barco no Ganges. Grandes letras hindus proclamam que este é o "ashram" de Anandamayi Ma em Benares. Para o meu imenso pesar, cheguei tarde mais para encontrar uma das maiores santas de todos os tempos.

Já faz mais de uma década desde que o corpo físico de Anandamayi Ma partiu desse mundo. (Evidentemente, a própria Ma insistiria em que não foi para lugar algum - que permanece, como sempre, a mesma.)

Mas o seu legado de amor e sabedoria permanecerá enquanto a humanidade tratar com carinho este número reduzido de seres extraordinários que chamamos de santos, aqueles que enunciam um estado do ser tão abrangente e bem-aventurado quanto o próprio universo, além das limitações da nossa consciência comum.

Alguns ensinamentos de Anandamayi Ma

"Assim como na vida cotidiana, no campo espiritual o que conta mais é a paciência."

" Permaneça sempre calmo e não se esqueça de que tudo o que Deus faz a qualquer tempo é benéfico. Porque se inquietar, se no curso dos eventos, as circunstâncias se modificam? Tudo o que acontece a todo instante ocorre de acordo com a Sua vontade."

"Seja qual for a situação em que Deus o colocar a qualquer instante, lembre-se de que é o que há de melhor. Procure atravessar a vida entregando de volta o seu fardo em Suas mãos; Ele é o Protetor, o Guia; Ele é tudo em tudo".

Pergunta: "Durante a meditação e a prece, como liberar nosso espírito das preocupações com o trabalho, as responsabilidades familiares: marido, filhos, etc? O que fazer?

Ma: Deixe o trabalho se realizar por si só sem se preocupar. Trabalhe sem ter a impressão de que é você que trabalha. Considere que é o trabalho de Deus, feito através de sua intermediação, e que você é Seu instrumento. Assim seu espírito estará calmo e pacífico. É isso a prece e a meditação."

"O homem nasce a fim de esgotar seu karma e escapar do ciclo de nascimentos e renascimentos. Mas o homem que possui um poder supranormal, quer dizer aquele no qual despertou o poder divino, pode modificar seu karma. O guru se manifesta a partir do interior. Quando surge uma busca verdadeira, autêntica, a iluminação se produz forçosamente. Não pode ser de outra forma. Aquele que surge sob os traços do guru é revelado ou então Se revela Ele-mesmo."

"Você já fez tanto no mundo da ação! Agora esforçe-se para consagrar inteiramente seu espírito ao Eterno. Não perca um tempo precioso. Os que não praticam a contemplação de Deus - ou em outros termos, não avançam em direção à realização do Ser - se destróem eles mesmos. Apegue-se ao Bem, renuncie ao que não é senão prazer."

"Sorria o mais que puder. Fazendo isto, todos os nós rígidos no seu corpo serão afrouxados. Tornando seus os interesses das outras pessoas, busque refúgio a seus pés com total entrega. Então voce verá o quanto o riso que flui do seu coração irá iluminar o mundo."

Por que existem religiões diferentes e tanto conflito entre elas? "A controvérsia faz parte da trajetória, mas, na verdade, todos estão em sua própria casa. O mesmo caminho não é para todo mundo. Mesmo dentro de uma família, cada filho tem inclinações diferentes. Cada pessoa em busca espiritual é moldada em um caminho único, mas todas precisarão passar pelo portão da verdade".

fonte:  http://www.almasdivinas.com.br/filhas_deusa/sob_a_perspectiva_da_deusa.htm




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