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Pesquisadores

Uma oração a ter presente constantemente no coração:

''Eu Estou entregue nas mãos de Deus.
Eu Sou Divinamente guiado/a e protegido/a
E em mim e por mim é feita a Divina Vontade.
Eu sirvo e manifesto a LUZ , Agora e Sempre!''
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3.5.17

Nisargadatta Maharaj - O que é a testemunha?



Pergunta: O que é a testemunha? É a mente ou é algo além da mente?

Maharaj: É o conhecedor da mente.

P: Se digo “eu sou”, isso vem da mente?

M: O sentido de ser expressa-se através da mente com as palavras “eu sou”.


P: Nos livros dos seus discursos traduzidos para o inglês as palavras destino e justiça são usadas. Elas são o mesmo que o Karma?


M: Justiça é a decisão dada. Destino é o depósito de impressões do qual toda esta manifestação flui. É o princípio do qual você emanou. É algo como o negativo de um filme; a consciência já está presente naquela fonte da qual você emanou e dessa forma o filme está sendo projetado. O que será projetado já está gravado. Assim, quaisquer atividades que aconteçam através desse sentido de ser– o qual é você – são o seu destino. Cada ação ou cada passo que esse sentido de ser irá tomar já estará registrado no filme.


P: São as estrelas que apresentam esse negativo, como dizem alguns astrólogos?

M: Isso é um perjúrio. Nove meses antes de seu nascimento o destino foi criado.
P: Por quem?
M: Ninguém, simplesmente acontece.
P: O negativo existe antes do destino começar? Onde esse negativo é impresso?
M: Esse é um atributo de Mula-Maya (a ilusão primordial).
P: Muitas pessoas acreditam que elas colhem o que plantam, dessa forma em algum momento anterior elas plantaram a estrutura negativa.
M: É apenas boato isso. Você tem alguma evidência disso?
P: Não.
M: Maya é a fonte primária da ilusão. Naquele momento o amor por Ser inicia-se. O “eu sou”, o amor por existir. Sua expressão é toda esta manifestação.
P: Por que algumas pessoas têm mais amor por esse falso ser do que outras?
M: Não é o caso de uma pessoa amar mais do que a outra, o estado de amor está presente e você tem que desfrutar ou sofrer dele. Mesmo quando sofremos nós amamos esse sentido de ser.
P: Quando praticamos o testemunhar isso ocorre conscientemente?
M: O que você quer dizer com praticar o testemunhar? O que você está tentando fazer é intensificar seu próprio sentido de ser. O testemunhar acontecerá automaticamente, mas o Ser deve abrir-se. Ainda antes do testemunhar você é.
P: Maharaj pediu-me para aquietar-me, mas meu estilo de vida dificulta que isso aconteça, meu trabalho tem um monte de pressão e atividade. Você recomendaria que eu mudasse de trabalho?
M: Eu não falo faça isso faça aquilo. Faça o que quiser, saiba apenas que você não é o ator, as coisas simplesmente acontecem. O destino que veio à existência no primeiro dia da concepção está desenrolando-se. Não há nenhuma ação que você possa alegar autoria. Uma vez que você sabe quem você é, esse destino não lhe limita mais.
P: O que as pessoas que morrem fazem para perceber que elas não têm corpo?
M: Nada acontece, ninguém morre. Os textos sagrados dizem que aqueles que morrem com conceitos indissolvidos irão renascer.
P: Quando renascem eles têm escolha de corpos diferentes ou de ir para a família A ou B?
M: Por que você se preocupa com assuntos alheios a você assim? Concentre em converser a si mesmo que você não é o corpo. Este corpo é feito dos cinco elementos e é realmente um corpo comida, você não tem parte nisso. Este corpo-comida não se refere a você. A força vital, a respiração e o sentido de ser dependem de comida e água. Sem comida e água o sentido de “eu sou” (I amness) fica ausente.
P: Mas o sentido de “eu sou” retorna posteriormente então?
M: Você não é nenhuma dessas coisas. Não há a questão de renascimento.
P: Parece que algo com o nome de comida está pairando no ar. Você pode constituir um corpo a partir disso e se você tiver conceitos errados você aterriza naquele corpo. Na verdade, me parece que está implícito no ensinamento que não existe tal coisa como a comida e o corpo-comida, eles são apenas um conceito.
M: De que nível você está falando agora? Como você entende que o corpo não está aí, que ele vem da mente?
P: Estou compreendendo isso a partir do que Maharaj diz no livro.
M: Você teve essa realização?
P: Se tivesse realizado teria me tornado um Jnani.
M: Exatamente. Até que isso ocorra o corpo nasce da maneira como todos os corpos nascem.
P: Da maneira que as coisas são para nós agora, temos um conceito de um corpo que deveríamos aceitar e não criar um outro conceito de que não existe o corpo?
M: Vá para a fonte. Quem sabe que existe o corpo? Algo é anterior à criação do corpo.
P: Todos os esforços que fazemos a esse respeito têm algum efeito em destruir o sentido de “eu sou”, ou isso é parte do filme? De modo que os esforços que as pessoas pensam que estão fazendo para alcançar o objetivo não têm efeito, está tudo contido naquele filme?
M: Esteja naquela fonte que é a luz por trás da consciência, entenda ela. O que está acontecendo naquele Mula-Maya.
A fita cassete grava o que estou falando, mas o que quer que esteja na fita não sou eu. Do mesmo modo que a voz original não está na fita também você está separado da química, do corpo, do sentido de eu sou, da consciência.

P: A realização está no filme?
M: Não pode estar no filme porque você é o conhecedor daquele filme. Agora pondere sobre o que você escutou e volte as cinco horas.
Essa mente é apenas um acúmulo de pensamentos que estão presentes na manifestação. Todas as suas atividades dependem da mente e a mente depende de todas as suas memórias e daquilo que você ouviu neste mundo.
Estamos absorvendo aquilo que acontece no mundo e estamos olhando para isso do nosso próprio ponto de vista, colocando nossos próprios conceitos nessas coisas. E por essa consciência corpo-mente absorver tudo o que acontece no mundo, nós vamos dando a essa consciência “eu sou”o crédito de ter outras vidas, nascimento, karma, etc. Você aceita certas coisas como virtuosas e boas e rejeita outras como pecaminosos e más, mas esses são apenas conceitos que você adquiriu no mundo e não há base para distinção.

P: Ontem Maharaj falou sobre os chakras (centro de energia psíquica no corpo) e sobre brahma-randra. Questiono-me se devemos se devemos nos ater a essas coisas em nossa meditação.
M: Esqueça a respeito dos chakras. Atenha-se ao conhecimento “eu sou” e torne-se um com ele, isso é meditação.
P: Quem é que vai segurar-se no “eu sou”?
M: Quem está fazendo essa pergunta?
P: Estamos aptos a ir além de nossos pensamentos, ou no estado absoluto os pensamentos são apenas parte do filme? E se são, temos apenas que ter paciência com eles?
M: Quem quer ir além dos pensamentos? Quem é esse? Antes da consciência aparecer no estado de vigília, esse é o Absoluto, assim que a consciência aparece os pensamentos surgem. Você não tem que ter paciência com eles, nem descartá-los, apenas conheça-os.
P: Todas as outras coisas que determinam quem você chama de Original, elas não existem?
M: Mas isso é apenas quando você atinge o estado original, quando você é um Jnani.
P: Nós já somos isso.
M: Se fossem não haveriam questões e vocês não estariam aqui.



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Quem foi Sri Nisargadatta Maharaj 


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Aqui encontramos:  http://advaita.com.br/nisargadatta-maharaj/

 Nisargadatta Maharaj

Quando certa vez questionado sobre a data de seu nascimento, Nisargadatta Maharaj respondeu suavemente “eu nunca nasci”. Escrever uma nota biográfica a respeito desse mestre é um trabalho frustrante e fútil. Pouco se sabe da sua vida, tendo sido a maior parte das informações obtidas por terceiros, antigos amigos e parentes.
Maruti nasceu em algum dia do mês de março de 1897, em uma família indiana de origem humilde. Cresceu basicamente sem nenhuma educação, e vivia uma vida simples, ajudando seu pai em seu trabalho em uma pequena fazenda no distrito de Maharashtra, no centro-oeste da Índia. O garoto era dotado, entretanto, de uma mente inquisitiva. Em certas oportunidades Maruti ouvia um amigo brahmin de seu pai discursar sobre assuntos espirituais, permanecendo então várias horas refletindo sobre tais assuntos.
Seu pai morreu quando ele tinha 18 anos, sendo que logo após Maruti mudou-se para Mumbai (Bombaim) em busca de trabalho. Lá montou uma pequena loja, vendendo desde roupa infantis a cigarros e outros itens, a qual floresceu bem e lhe deu segurança financeira. Neste período ele casou e teve um filho e três filhas. Viveu uma vida comum, um entre milhares, até que no ano de 1933, através de um convite de um amigo, conheceu aquele que seria seu Guru – Sri Siddharameshwar Maharaj, da linhagem dos Navanathas, sendo por ele iniciado. No início de sua prática ele começou a ter visões e ocasionalmente entrava em transe.
Com a morte de seu Guru em 1936, a sua sede pela Autorrealização atingiu seu ápice, culminando na Iluminação. Em suas palavras: Quando encontrei meu Guru, ele me disse “Você não é o que você pensa ser. Descubra quem você é. Observe o sentimento EU SOU, encontre seu verdadeiro EU”. Eu fiz como ele me disse. Todo o meu tempo livre eu passava olhando para dentro de mim, em silêncio. E que diferença fez, e tão rápido! Custou-me apenas três anos para eu realizar minha verdadeira natureza. A mensagem do Mestre para nós era clara e direta, sem exposição de doutrinas ou escrituras: “Você é o Ser aqui e agora. Pare de imaginar que você é outra coisa. Desapegue-se do irreal!”
A identidade de Maruti, o pequeno comerciante, então desapareceu, dissolvendo-se na iluminadora personalidade de Sri Nisargadatta Maharaj.
Em 1973 foi publicado o primeiro livro com ensinamentos do mestre, “I Am That”, que rapidamente tornou-se um clássico espiritual moderno, atraindo-lhe a visita de buscadores de todas as partes do mundo. Maharaj continuou a encontrar-se regularmente com buscadores e visitantes, em sua casa, até o final de sua vida em 1981, quando morreu de câncer na garganta.

[Biografia escrita com base nas informações contidas no livro I Am That e no site

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Shree Siddharameshwar Maharaj

Foi o Guru de Sri Nisargadatta






24.3.17

Nisargadatta Maharaj - O Ser está além da mente.




Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That

Questionador: Quando criança, eu freqüentemente experimentava estados de completa felicidade, chegando ao êxtase. Mais tarde, eles cessaram. Mas desde que vim para a Índia eles reapareceram, principalmente depois que o encontrei. Ainda assim, esses estados, embora maravilhosos, não são duradouros. Eles vão e vêm sem que eu saiba quando voltarão.
Maharaj: Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável?

Q: Como posso tornar minha mente estável?
M. Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente.

Q: Como se faz isso?
M: Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte.

Q: Posso evitar esta batalha com minha mente?
M: Sim, você pode. Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira.

Q: Bem, então eu posso também me casar, ter filhos, tocar um negócio... ser feliz.
M: Certamente. Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua.

Q: Bem, eu quero a felicidade.
M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do self e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu self real (swarupa) e tudo mais virá com ele.

Q: Se o meu verdadeiro self é paz e amor, por que ele é tão inquieto, tão agitado?
M: Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo do Self na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas na mente. O Self está além da mente, consciente, mas sem envolvimento.

Q: Como alcançá-lo?
M: Você é o Self, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva e você irá perceber que permanecer alerta mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real.

Q: Quais são os outros aspectos?
M: Os aspectos são em número infinito. Conheça um e você conhecerá todos.

Q: Diga alguma coisa que possa me ajudar.
M: Você é quem sabe melhor o que você necessita!

Q: Eu não tenho descanso. Como posso obter paz?
M: Para que você quer paz?

Q: Para ser feliz.
M: Você não é feliz?

Q: Não, eu não sou.
M: O que o torna infeliz?

Q: Eu tenho o que não quero, e quero o que não tenho.
M: Por que você não inverte a situação: queira o que você tem e não se importe com o que não tem?

Q: Eu quero o que é prazeroso e não quero o que é doloroso.
M: Como você sabe o que é prazeroso ou não?

Q: Em função da experiência passada, é claro.
M: Guiado pela memória você tem perseguido o prazeroso e fugido do não prazeroso. Você tem obtido sucesso?

Q: Não, não tenho. O prazeroso não dura. A dor instala-se novamente.
M: Que dor?

Q: O desejo pelo prazer, o medo da dor, ambos são estados de angústia. Existe um estado de prazer puro?
M. Cada prazer, físico ou mental, necessita de um instrumento. Tanto os instrumentos físicos como mentais são materiais, eles cansam e tornam-se batidos. O prazer que eles proporcionam é necessariamente limitado em intensidade e duração. A dor é o pano de fundo de todos os seus prazeres. Você os quer porque você sofre. Por outro lado, a busca pelo prazer é a causa da dor. É um círculo vicioso.

Q: Eu posso ver o mecanismo da minha confusão, mas não vejo a forma de sair dele.
M: O exame detalhado do mecanismo mostra o caminho. Afinal, sua confusão está só na sua mente, que nunca lutou muito contra a confusão e nunca se agarrou tanto a ela. Sua mente se rebela apenas contra a dor.

Q: Então, tudo o que tenho a fazer é permanecer confuso?
M: Fique alerta. Questione, observe, investigue, aprenda tudo que puder sobre a confusão, como ela opera, o que ela faz a você e aos outros. Ao esclarecer a confusão você se livrará dela.

Q: Quando olho para dentro de mim, percebo que meu desejo mais forte é criar um monumento, construir alguma coisa que possa durar mais do que eu. Mesmo quando eu penso em um lar, esposa e filhos, é porque eles são uma testemunha duradoura e sólida de mim mesmo.
M: Certo, construa um monumento para você. Como você pensa fazer isso?

Q: Importa pouco o que eu construo, desde que seja permanente.
M: Certamente, você vê por si mesmo que nada é permanente. Tudo se desgasta, quebra, dissolve. O próprio chão onde você constrói também desaparecerá. O que você pode construir que dure mais que tudo?

Q: Intelectualmente, verbalmente, estou consciente de que tudo é transitório. Ainda assim, de alguma forma meu coração deseja permanência. Quero criar algo que dure.
M: Então você precisa construir isso com alguma coisa duradoura. O que você tem que é duradouro? Nem seu corpo, nem sua mente duram. Você precisa procurar em outro lugar.

Q: Eu anseio pela permanência, mas não a encontro em nenhum lugar.
M: Você, você mesmo não é permanente?

Q: Eu nasci e meu destino é morrer.
M: Você pode verdadeiramente dizer que você não era antes de nascer e você pode possivelmente dizer quando estiver morto: "Agora eu não sou mais"? Você não pode dizer, pela sua própria experiência, que você não é. Você só pode dizer "Eu sou". Os outros também não podem dizer-lhe "você não é".

Q: Não há "Eu sou" no sono.
M: Antes de fazer tais afirmações examine cuidadosamente seu estado de vigília. Você logo descobrirá que ele está cheio de falhas, quando a mente fica em branco. Perceba como você se recorda pouco mesmo quando totalmente acordado. Você não pode dizer que você não estava consciente durante o sono. Você apenas não se lembra. Uma falha na memória não é necessariamente uma falha na consciência.

Q: Posso lembrar, por mim mesmo, meu estado de sono profundo?
M: É claro! Eliminando os intervalos durante suas horas de vigília você gradualmente eliminará os longos intervalos de ausência da mente, que você chama de sono. Você ficará consciente de que está dormindo.

Q: Mas o problema da permanência, da continuidade do ser, ainda continua sem solução.
M: A permanência é mera idéia, nascida da ação do tempo. O tempo, por sua vez, depende da memória. Por permanência você entende uma memória que não falha através de um tempo que seja contínuo. Você quer eternizar a mente, o que não é possível.

Q: Então o que é eterno?
M: Aquilo que não muda com o tempo. Você não pode eternizar uma coisa transitória - somente o imutável é eterno.

Q: Estou familiarizado com o sentido geral do que você diz. Não desejo mais conhecimento. Tudo que eu quero é paz.
M: Você pode obter toda paz que você quer apenas pedindo.

Q: Eu estou pedindo.
M: Você deve pedir com um coração não dividido e viver uma vida integrada.

Q: Como?
M: Desprenda-se de tudo que não deixa sua mente descansar. Renuncie a tudo que perturba sua paz. Se você quer paz, mereça-a.

Q: Certamente todos merecem paz.
M: Somente a merecem aqueles que não a perturbam.

Q: De que forma eu perturbo a paz?
M: Sendo um escravo de seus desejos e medos.

Q: Mesmo quando eles são justificáveis?
M: Reações emocionais, nascidas da ignorância e da inadvertência, nunca se justificam. Procure uma mente clara e um coração limpo. Tudo que você precisa é manter-se bem alerta, investigando a verdadeira natureza de você mesmo. Este é o único caminho para a paz.

http://apazdosilencio.blogspot.pt/2013/11/nisargadatta-maharaj-o-ser-esta-alem-da.html


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3.9.12

A Experiência Não é a Coisa Real - Sri Nisargadatta Maharaj




A Experiência Não é a Coisa Real


Maharaj: O buscador é aquele que está em busca de si mesmo. Logo ele descobre que seu próprio corpo não pode ser ele. Uma vez que a convicção ‘Eu não sou o corpo’ tenha se tornado tão bem enraizada que ele não pode mais sentir, pensar e atuar por e em benefício do corpo, facilmente descobrirá que ele é o ser universal, conhecendo – e agindo em consequência – que nele e através dele o universo inteiro é real, consciente e ativo. Este é o âmago do problema; ou você é consciente do corpo e escravo das circunstâncias, ou você é a própria consciência universal – e em pleno controle de cada fato.
Ainda assim, a consciência, individual e universal, não é meu verdadeiro lar; não estou nela, ela não é minha, não há nenhum ‘eu’ nela. Estou além, embora não seja facilmente explicado como alguém pode ser nem consciente, nem inconsciente, mas exatamente além. Eu não posso dizer que estou em Deus ou que eu sou Deus; Deus é a luz e o amor universais, a testemunha universal; eu estou além inclusive do universal.

Pergunta: Neste caso você é sem nome e forma. Que tipo de ser você tem?

M: Sou o que sou, nem com forma nem sem forma, nem consciente nem inconsciente. Estou fora de todas estas categorias.

P: Você está empregando a abordagem do neti-neti (não isto, não aquilo).

M: Você não pode encontrar-me pela mera negação. Eu sou tanto tudo quanto nada; nem ambos, nem nenhum. Estas definições se aplicam ao Senhor do Universo, não a mim.

P: Você pretende transmitir que você é exatamente nada.

M: Oh, não! Sou completo e perfeito. Sou a existência do ser, a sabedoria do saber, a plenitude da felicidade. Você não pode me reduzir ao vazio!

P: Se você está além das palavras, sobre o que deveremos falar? Falando metafisicamente, o que você diz se mantém coeso, não há nenhuma contradição interna. Mas não há nenhum alimento para mim no que você diz. Está completamente além de minhas necessidades urgentes. Quando peço pão, você me dá joias. São bonitas, sem dúvida, mas eu estou faminto.


M: Não é assim. Estou oferecendo a você exatamente o que você necessita – o despertar. Você não está faminto e não precisa de pão. Você necessita de cessação, renúncia, desembaraço. O que você acredita necessitar não é o que você necessita. Eu conheço sua necessidade real, você não. Você necessita retornar ao estado no qual eu estou – seu estado natural. Qualquer outra coisa que você possa pensar é uma ilusão e um obstáculo. Acredite em mim, você não necessita nada exceto ser o que é. Você imagina que aumentará seu valor pela aquisição. É como o ouro imaginando que uma adição de cobre o melhorará. A eliminação e a purificação, a renúncia de tudo o que é estranho à sua natureza é o bastante. Tudo mais é vaidade.


P: É mais fácil dizer que fazer. Um homem vem a você com uma dor de estômago e você o aconselha a vomitar seu estômago. Certamente, não haverá problema nenhum sem a mente. Mas a mente existe – de forma muito tangível.

M: É a mente que lhe diz que a mente existe. Não se deixe enganar. Todos os infindáveis argumentos sobre a mente são produzidos pela própria mente, para sua própria proteção, continuação e expansão. É a rejeição a considerar os espasmos e convulsões da mente que pode levá-lo além dela.


P: Senhor, eu sou um humilde buscador, enquanto você é a própria Realidade Suprema. Agora o buscador se aproxima do Supremo para ser iluminado. O que o Supremo faz?

M: Escute o que continuo lhe falando e não se afaste disto. Pense nisto todo o tempo e em nada mais. Tendo chegado a este ponto, abandone todos os pensamentos, não apenas do mundo, mas de você mesmo também. Permaneça além de todo pensamento, na silenciosa Consciência do ser. Isto não é progresso, pois o que vem já está em você, esperando por você.

P: Assim você diz que devo tentar a parada do pensamento e permanecer firme na ideia ‘Eu sou’.


M: Sim, e esvazie de todo significado qualquer pensamento que venha a você em conexão com o ‘Eu sou’, e não lhes dê atenção.

P: Acontece que eu encontrei muitos jovens que vieram do Ocidente e percebo que há uma diferença básica quando os comparo aos indianos. Parece como se suas psiques (antahkarana) fossem diferentes. Conceitos como o Eu, Realidade, mente pura, consciência universal são compreendidos facilmente pela mente indiana. Eles soam familiares, têm sabor doce. A mente ocidental não responde, ou apenas os rejeita. Ela os concretiza e deseja para o emprego imediato a serviço dos valores aceitos. Estes valores são frequentemente pessoais: saúde, bem-estar, prosperidade; algumas vezes são sociais – uma sociedade melhor, uma vida mais feliz para todos; todos estão conectados com os problemas mundanos, pessoais ou impessoais. Outra dificuldade com a qual nos defrontamos frequentemente nas conversas com ocidentais é que, para eles, tudo é experiência – do mesmo modo que eles querem experimentar o alimento, a bebida e as mulheres, a arte e as viagens, assim eles desejam experimentar a Ioga, a realização e a liberação. Para eles é como outra experiência, a ser obtida por um preço. Eles imaginam que tais experiências possam ser compradas e pechincham sobre o preço. Quando um Guru põe o preço muito alto, em termos de tempo e esforço, eles vão para outro que ofereça pagamentos a prazo, aparentemente mais acessíveis, mas cercados de condições que não possam ser cumpridas. É a velha história de não pensar em um macaco cinza quando tomar o remédio! Neste caso, são coisas como não pensar no mundo, ‘abandonar toda proteção’, ‘extinguir todo desejo’, ‘tornar-se perfeitamente celibatário’, etc. Naturalmente, há um enorme engano em todos os níveis, e os resultados são nulos. Alguns Gurus, em aguda desesperação, abandonam toda disciplina, não prescrevem condições, aconselham o não esforço, a naturalidade, a viver simplesmente em uma Consciência passiva, sem qualquer padrão de ‘deve’ ou ‘não deve’. E há muitos discípulos cujas experiências passadas os levaram ao desgosto de si mesmos de tal maneira que, simplesmente, eles não querem olhar para eles mesmos. Se não estiverem enojados, estarão entediados. Estão fartos do autoconhecimento, querem alguma outra coisa.


M: Permita-lhes que não pensem neles mesmos, se não lhes agrada. Deixe-os que estejam com um Guru, que o observem, que pensem nele. Logo experimentarão um tipo de felicidade, totalmente nova, nunca experimentada antes, exceto, talvez, na infância. A experiência é tão inconfundivelmente nova que atrairá sua atenção e criará interesse; uma vez despertado o interesse, ordenadamente a aplicação se seguirá.


P: Estas pessoas são muito críticas e desconfiadas. Não podem ser de outra forma, tendo passado por tanto aprendizado e tantas decepções. Por um lado elas querem a experiência, pelo outro desconfiam dela. Só Deus sabe como chegar a elas!


M: A verdadeira compreensão e amor as alcançarão.


P: Quando elas têm alguma experiência espiritual, surge outra dificuldade. Elas se queixam de que a experiência não dura, que vem e vai de modo aleatório. Tendo agarrado o pirulito, querem sugá-lo todo o tempo.

M: A experiência, por sublime que seja, não é a coisa real. Por natureza, ela vem e vai. A autorrealização não é uma aquisição. É mais da natureza do entendimento. Uma vez alcançada, não pode ser perdida. Por outro lado, a consciência varia, é fluida e sofre transformação de momento a momento. Não se aferre à consciência e a seu conteúdo. A consciência retida cessa. Tentar a perpetuação de um momento de discernimento ou de uma explosão de felicidade é destruir o que se quer preservar. O que vem deve ir. O permanente está além de todas as idas e vindas. Vá à raiz de toda experiência, para o sentido de ser. Além do ser e do não ser está a imensidade do real. Tente-o repetidamente.

P: Para tentar, é necessário fé.

M: Primeiro deve existir o desejo. Quando o desejo for forte, a disposição para tentar virá. Você não precisa da garantia do sucesso quando o desejo for forte. Você está pronto para apostar.

P: Desejo forte, fé forte – vêm a ser o mesmo. Estas pessoas não confiam nem em seus pais ou na sociedade, nem sequer nelas mesmas. Tudo o que elas tocaram se transformou em cinzas. Dê-lhes uma experiência genuína, indubitável, além da argumentação da mente, e elas o seguirão até o fim do mundo.

M: Mas não estou fazendo outra coisa! Incansavelmente levo sua atenção ao fator incontestável – o do ser. O ser não precisa de provas – ele prova todas as outras coisas. Se eles apenas se aprofundarem no fato de ser e descobrirem a vastidão e a glória das quais o ‘Eu sou’ é a porta, cruzando-a e indo além, suas vidas serão cheias de felicidade e de luz. Acredite em mim, o esforço necessário não é nada comparado com as descobertas a que se chega.


P: O que você diz está certo. Mas estas pessoas não têm nem confiança nem paciência. Mesmo um pequeno esforço cansa-as. É realmente patético vê-las tateando cegamente e, ainda assim, incapazes de agarrarem a mão que as ajuda. Basicamente são boas pessoas, mas estão totalmente desnorteadas. Eu lhes falo: Vocês não podem ter a verdade em seus próprios termos. Devem aceitar as condições. A isto respondem: Alguns aceitarão as condições e outros não. A aceitação e a não aceitação são superficiais e acidentais; a realidade está em tudo; deve haver um caminho que todos possam seguir – sem condições agregadas.

M: Existe tal caminho, aberto a todos, em cada nível, em cada modo de vida. Todos são conscientes de si mesmos. O aprofundamento e a ampliação da autoconsciência – é o caminho real. Chame-o plena ciência, ou testemunhar, ou apenas atenção – é para todos. Ninguém é imaturo para ele e ninguém pode fracassar.
Mas, certamente, você não deve estar meramente alerta. Sua atenção deve incluir a mente também. Testemunhar é antes de tudo Consciência da consciência e de seus movimentos.

http://editoraadvaita.blogspot.pt/2012/08/a-experiencia-nao-e-coisa-real.html



Veja aqui:








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Mais informações sobre Sri Nisargadatta Maharaj

http://nisargadatta.net/index.html

http://groups.yahoo.com/group/Nisargadatta/ 

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Sri Nisargadatta Maharaj - A OBSESSÃO COM O CORPO


Estes são pequenos trechos de um livro chamado Eu sou Aquilo, de Sri Nisargadatta Maharaj. Não sei se já tem tradução brasileira. Ele morou na India e faleceu em 1981.

A OBSESSÃO COM O CORPO

Sri Nisargadatta Maharaj

Do livro I Am That

D: Maharaj, você está sentado aí, diante de mim e eu estou aqui a seus pés. Qual a diferença básica entre nós?
M: Não há nenhuma diferença básica.

D: Mas, ainda assim parece ter alguma diferença real. Eu vim a você, você não veio até mim.
M: É porque você imagina essas diferenças que você veio aqui e vai ali em busca de uma pessoa superior.

D: Mas você é uma pessoa superior. Você alega conhecer a realidade enquanto eu não.
M: Eu por acaso lhe disse que você não sabe nada e, portanto, que você é inferior? Deixe aqueles que criaram essas distinções, prová-las. Eu não alego conhecer algo que você não conhece. Na verdade eu sei muito menos do que você.

D: Suas palavras são sábias, seu comportamento é nobre e sua graça é poderosa.
M: Eu não sei nada sobre tudo isso e não vejo diferença nenhuma entre você e eu. A minha vida é uma sucessão de eventos exatamente como a sua. A única coisa é que estou desapegado e vejo o show que passa somente como um show que passa enquanto você se apega às coisas e vai com elas de um lado para o outro.

D: O que o torna uma pessoa tão imparcial?
M: Nada em especial. Aconteceu que eu acreditei no meu Guru. Ele me disse que eu não sou nada além de mim mesmo, e eu acreditei nele. Acreditando nele, eu passei a me comportar de acordo e parei de me preocupar com tudo o que não era eu ou que não era do meu ser.


D: Por que você foi tão bem aventurado em acreditar totalmente no seu professor enquanto nossa fé é nominal e verbal?
M: Quem pode dizer? Isso simplesmente aconteceu. Coisas acontecem sem causa e sem razão e, de qualquer forma, que diferença faz quem é quem? A sua elevada opinião sobre mim é apenas a sua opinião. A qualquer momento você pode mudá-la. Por que dar tanta importância a opiniões, mesmo que sejam as suas?

D: Ainda assim você é diferente. Sua mente parece estar sempre quieta e feliz e milagres acontecem a sua volta.
M: Eu não sei nada sobre milagres. E fico pensando se a natureza admite exceções às suas leis, a menos que concordemos que tudo seja um milagre. Para mim, isso não existe. Há uma consciência onde tudo acontece. Esses milagres são bastante óbvios e fazem parte da experiência de todos. Você apenas não olha com o cuidado suficiente. Olhe atentamente e veja o que eu vejo.

D: E o que você vê?
M: Eu vejo o que você também pode ver aqui e agora, mas pelo foco errado da sua atenção. Você não dá atenção a si próprio. Sua mente está cheia de coisas, pessoas e idéias, nunca com você mesmo. Coloque a si mesmo dentro do foco. Torne-se consciente da sua própria existência. Veja como você funciona, verifique os motivos e os resultados das suas ações. Estude a prisão que você, inadvertidamente, construiu a sua volta. Descobrindo o que você não é você acabará se conhecendo. O caminho de volta a si mesmo vai através da recusa e da rejeição. Uma coisa é certa: o real não é imaginário, não é produto da mente. Até mesmo o sentido de "eu sou" não é continuo, apesar de ser um sinalizador útil; ele mostra onde procurar mas não o que procurar. Apenas dê uma boa olhada nisso. Uma vez que você estiver convencido de que você não pode dizer verdadeiramente nada sobre si próprio, exceto "eu sou", e de que nada para o que você possa apontar pode ser você mesmo, a necessidade do "eu sou" termina. Você não mais tentará verbalizar o que você é. Tudo o que você precisa é livrar-se da tendência de definir a si mesmo. Todas as definições aplicam-se somente ao seu corpo e às suas expressões. Uma vez que esta obsessão com o corpo termine, você reverterá ao seu estado natural, espontaneamente e sem esforço. A única diferença entre nós é que eu estou consciente do meu estado natural, enquanto você está a devanear. Assim como o ouro usado numa jóia não leva nenhuma vantagem em relação ao ouro em pó, exceto quando a mente as cria, assim também somos uno em essência - diferimos apenas na aparência. Descobrimos isto sendo sinceros, procurando, inquirindo, questionando diariamente, a toda hora, dedicando uma vida a essa descoberta.


O SELF ESTÁ ALÉM DA MENTE

Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That

Questionador: Quando criança, eu freqüentemente experimentava estados de completa felicidade, chegando ao êxtase. Mais tarde, eles cessaram. Mas desde que vim para a Índia eles reapareceram, principalmente depois que o encontrei. Ainda assim, esses estados, embora maravilhosos, não são duradouros. Eles vão e vêm sem que eu saiba quando voltarão.
Maharaj: Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável?

Q: Como posso tornar minha mente estável?
M. Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente.

Q: Como se faz isso?
M: Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte.

Q: Posso evitar esta batalha com minha mente?
M: Sim, você pode. Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira.

Q: Bem, então eu posso também me casar, ter filhos, tocar um negócio... ser feliz.
M: Certamente. Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua.

Q: Bem, eu quero a felicidade.
M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do self e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu self real (swarupa) e tudo mais virá com ele.

Q: Se o meu verdadeiro self é paz e amor, por que ele é tão inquieto, tão agitado?
M: Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo do Self na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas na mente. O Self está além da mente, consciente, mas sem envolvimento.

Q: Como alcançá-lo?
M: Você é o Self, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva e você irá perceber que permanecer alerta mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real.

Q: Quais são os outros aspectos?
M: Os aspectos são em número infinito. Conheça um e você conhecerá todos.

Q: Diga alguma coisa que possa me ajudar.
M: Você é quem sabe melhor o que você necessita!

Q: Eu não tenho descanso. Como posso obter paz?
M: Para que você quer paz?

Q: Para ser feliz.
M: Você não é feliz?

Q: Não, eu não sou.
M: O que o torna infeliz?

Q: Eu tenho o que não quero, e quero o que não tenho.
M: Por que você não inverte a situação: queira o que você tem e não se importe com o que não tem?

Q: Eu quero o que é prazeroso e não quero o que é doloroso.
M: Como você sabe o que é prazeroso ou não?

Q: Em função da experiência passada, é claro.
M: Guiado pela memória você tem perseguido o prazeroso e fugido do não prazeroso. Você tem obtido sucesso?

Q: Não, não tenho. O prazeroso não dura. A dor instala-se novamente.
M: Que dor?

Q: O desejo pelo prazer, o medo da dor, ambos são estados de angústia. Existe um estado de prazer puro?
M. Cada prazer, físico ou mental, necessita de um instrumento. Tanto os instrumentos físicos como mentais são materiais, eles cansam e tornam-se batidos. O prazer que eles proporcionam é necessariamente limitado em intensidade e duração. A dor é o pano de fundo de todos os seus prazeres. Você os quer porque você sofre. Por outro lado, a busca pelo prazer é a causa da dor. É um círculo vicioso.

Q: Eu posso ver o mecanismo da minha confusão, mas não vejo a forma de sair dele.
M: O exame detalhado do mecanismo mostra o caminho. Afinal, sua confusão está só na sua mente, que nunca lutou muito contra a confusão e nunca se agarrou tanto a ela. Sua mente se rebela apenas contra a dor.

Q: Então, tudo o que tenho a fazer é permanecer confuso?
M: Fique alerta. Questione, observe, investigue, aprenda tudo que puder sobre a confusão, como ela opera, o que ela faz a você e aos outros. Ao esclarecer a confusão você se livrará dela.

Q: Quando olho para dentro de mim, percebo que meu desejo mais forte é criar um monumento, construir alguma coisa que possa durar mais do que eu. Mesmo quando eu penso em um lar, esposa e filhos, é porque eles são uma testemunha duradoura e sólida de mim mesmo.
M: Certo, construa um monumento para você. Como você pensa fazer isso?

Q: Importa pouco o que eu construo, desde que seja permanente.
M: Certamente, você vê por si mesmo que nada é permanente. Tudo se desgasta, quebra, dissolve. O próprio chão onde você constrói também desaparecerá. O que você pode construir que dure mais que tudo?

Q: Intelectualmente, verbalmente, estou consciente de que tudo é transitório. Ainda assim, de alguma forma meu coração deseja permanência. Quero criar algo que dure.
M: Então você precisa construir isso com alguma coisa duradoura. O que você tem que é duradouro? Nem seu corpo, nem sua mente duram. Você precisa procurar em outro lugar.

Q: Eu anseio pela permanência, mas não a encontro em nenhum lugar.
M: Você, você mesmo não é permanente?

Q: Eu nasci e meu destino é morrer.
M: Você pode verdadeiramente dizer que você não era antes de nascer e você pode possivelmente dizer quando estiver morto: "Agora eu não sou mais"? Você não pode dizer, pela sua própria experiência, que você não é. Você só pode dizer "Eu sou". Os outros também não podem dizer-lhe "você não é".

Q: Não há "Eu sou" no sono.
M: Antes de fazer tais afirmações examine cuidadosamente seu estado de vigília. Você logo descobrirá que ele está cheio de falhas, quando a mente fica em branco. Perceba como você se recorda pouco mesmo quando totalmente acordado. Você não pode dizer que você não estava consciente durante o sono. Você apenas não se lembra. Uma falha na memória não é necessariamente uma falha na consciência.

Q: Posso lembrar, por mim mesmo, meu estado de sono profundo?
M: É claro! Eliminando os intervalos durante suas horas de vigília você gradualmente eliminará os longos intervalos de ausência da mente, que você chama de sono. Você ficará consciente de que está dormindo.

Q: Mas o problema da permanência, da continuidade do ser, ainda continua sem solução.
M: A permanência é mera idéia, nascida da ação do tempo. O tempo, por sua vez, depende da memória. Por permanência você entende uma memória que não falha através de um tempo que seja contínuo. Você quer eternizar a mente, o que não é possível.

Q: Então o que é eterno?
M: Aquilo que não muda com o tempo. Você não pode eternizar uma coisa transitória - somente o imutável é eterno.

Q: Estou familiarizado com o sentido geral do que você diz. Não desejo mais conhecimento. Tudo que eu quero é paz.
M: Você pode obter toda paz que você quer apenas pedindo.

Q: Eu estou pedindo.
M: Você deve pedir com um coração não dividido e viver uma vida integrada.

Q: Como?
M: Desprenda-se de tudo que não deixa sua mente descansar. Renuncie a tudo que perturba sua paz. Se você quer paz, mereça-a.

Q: Certamente todos merecem paz.
M: Somente a merecem aqueles que não a perturbam.

Q: De que forma eu perturbo a paz?
M: Sendo um escravo de seus desejos e medos.

Q: Mesmo quando eles são justificáveis?
M: Reações emocionais, nascidas da ignorância e da inadvertência, nunca se justificam. Procure uma mente clara e um coração limpo. Tudo que você precisa é manter-se bem alerta, investigando a verdadeira natureza de você mesmo. Este é o único caminho para a paz.



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Pesquisando , como sempre, encontrei esta página sobre Sri Nisargadatta Maharaj .

Vale a pena visitar este blogue  http://metamorficus.blogspot.com

Destaco:
Sobre Advaita.


Gracias a JHOLLAND  

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Agora observem as mensagens recebidas na França em Autresdimensions ( http://www.autresdimensions.com/ ) 
transmitidas por  BIDI e recebidas por Jean-Luc AYOUN
 

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